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Não Pagar Impostos em Portugal 2026: Coimas e Consequências

Riscos legais, financeiros e reputacionais da não conformidade fiscal

3 min de leitura
Índice do artigo

A não conformidade fiscal acontece quando uma empresa ou particular não cumpre as obrigações fiscais — pagamento de impostos, entrega de declarações ou prestação de informação exigida pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT). As consequências variam consoante a gravidade e podem ir desde a coima administrativa até à responsabilidade criminal. Este guia 2026 sintetiza o enquadramento legal aplicável em Portugal.

O regime sancionatório fiscal em Portugal é regulado pelo Regime Geral das Infracções Tributárias (RGIT), aprovado pela Lei n.º 15/2001 e sucessivamente alterado. O RGIT distingue entre:

  • Contra-ordenações fiscais simples — infracções menos graves (atrasos na entrega de declarações, faltas formais)
  • Contra-ordenações fiscais graves — incumprimentos com maior impacto financeiro
  • Crimes fiscais — fraude fiscal, abuso de confiança, burla tributária, entre outros

Em 2026, mantêm-se em vigor as molduras de coima do RGIT. As contra-ordenações fiscais graves podem ascender até 165.000€ para pessoas colectivas, conforme os limites previstos no diploma. Os crimes fiscais podem dar lugar a penas de prisão, independentemente da pessoa colectiva também responder com coima.

Principais Consequências

1. Coimas e Juros de Mora

A AT aplica coimas pela infracção e juros de mora sobre o imposto não pago. Em 2026, a taxa de juros de mora aplicável a dívidas ao Estado é de 7,221%, acumulando ao valor original da dívida.

2. Execução Fiscal e Penhora

A AT pode instaurar processo de execução fiscal, com penhora de contas bancárias, salários, rendas ou imóveis. Veja como o PEAP ou plano prestacional podem suspender execuções em curso.

3. Restrições Comerciais

Empresas em incumprimento fiscal ficam impedidas de:

  • Participar em contratos públicos (a regularidade fiscal é requisito obrigatório). Pode consultar histórico de adjudicações na nossa base de contratos públicos.
  • Aceder a apoios, subsídios e fundos comunitários
  • Obter crédito bancário em condições normais (a situação fiscal é frequentemente avaliada)

4. Responsabilidade Criminal

Quando o valor em causa ultrapassa os limiares legais do RGIT, a infracção passa de contra-ordenação a crime fiscal. Os administradores e gerentes podem ser pessoalmente responsabilizados, mesmo que a dívida seja da pessoa colectiva.

5. Reputação e Relações Comerciais

A não conformidade fiscal afecta a reputação perante clientes, parceiros e financiadores. Antes de fechar negócio com uma contraparte, é prática comum verificar o NIF e a regularidade fiscal — pode fazê-lo na nossa consulta de NIF.

Como Prevenir

A prevenção passa por:

  • Cumprir todos os prazos declarativos (Modelo 3, IES, Modelo 22, declarações periódicas de IVA)
  • Manter contabilidade organizada e auditável (ver as nossas dicas para evitar uma auditoria fiscal)
  • Regularizar dívidas atempadamente, recorrendo a plano prestacional ou PEAP quando necessário
  • Consultar profissionais especializados em direito tributário e contabilidade

A AT disponibiliza informação detalhada no Portal das Finanças e a legislação completa está acessível no Diário da República Electrónico.

Próximos passos


Ferramentas úteis