Portugal contava com 1 593 415 empresas registadas em 2024, segundo os dados do INE publicados pela PORDATA em Dezembro de 2025. Este número inclui todas as formas jurídicas — sociedades por quotas, unipessoais, sociedades anónimas, cooperativas e empresários em nome individual — e representa um crescimento de cerca de 43% face às 1 115 456 empresas existentes em 2004. Deste universo, 99,9% são PME e apenas 1 723 são grandes empresas.
Na base de dados do contribuinte.pt, que agrega mais de 1,2 milhões de entidades colectivas com NIF consultável, esta distribuição sectorial é visível em cada pesquisa: o código CAE registado por cada empresa reflecte exactamente o sector em que opera. Desde 1 de Janeiro de 2025 está em vigor a CAE Revisão 4, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 9/2025, de 12 de Fevereiro, que substituiu a CAE Rev.3.
Os 15 sectores com mais empresas em Portugal
A tabela seguinte apresenta os sectores de actividade económica ordenados pelo número de empresas, com a secção CAE correspondente. Os dados referem-se a 2024 (último ano disponível no INE/PORDATA à data de publicação).
| # | Sector de actividade | Secção CAE | N.º de empresas | % do total |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Comércio por grosso e a retalho | G | 218 811 | 13,7% |
| 2 | Alojamento e restauração | I | 128 022 | 8,0% |
| 3 | Saúde humana e apoio social | Q | 123 661 | 7,8% |
| 4 | Agricultura, pecuária, caça, silvicultura e pesca | A | 121 097 | 7,6% |
| 5 | Construção | F | 114 439 | 7,2% |
| 6 | Indústrias transformadoras | C | 69 898 | 4,4% |
| 7 | Actividades imobiliárias | L | 67 912 | 4,3% |
| 8 | Educação | P | 67 712 | 4,2% |
| 9 | Transportes e armazenagem | H | 64 460 | 4,0% |
| 10 | Actividades financeiras e de seguros | K | 16 809 | 1,1% |
| 11 | Electricidade, gás e água | D+E | 6 385 | 0,4% |
| 12 | Indústrias extractivas | B | 963 | 0,1% |
| 13 | Outros sectores (inclui secções J, M, N, R, S, U) | — | 593 246 | 37,2% |
Nota: A PORDATA agrega numa única categoria (“Outros sectores”) as secções J (Informação e comunicação), M (Actividades de consultoria, científicas e técnicas), N (Actividades administrativas e serviços de apoio), R (Actividades artísticas, de espectáculos e recreativas), S (Outras actividades de serviços) e U (Organismos internacionais). Para uma desagregação completa por secção CAE, consulte directamente a base de dados do INE (ine.pt).
Análise por sector: o que revelam os números
Comércio continua a liderar — mas o peso relativo diminui
O comércio por grosso e a retalho (secção G) mantém a posição de sector com mais empresas em Portugal, com quase 219 mil entidades. Dentro desta secção, os CAE mais comuns incluem o 47111 (comércio a retalho em supermercados e hipermercados), o 47191 (comércio a retalho não especializado) e o 46900 (comércio por grosso não especializado). Contudo, a tendência dos últimos anos mostra uma redução gradual do peso relativo deste sector, pressionado pelo crescimento do comércio electrónico e pela concentração em grandes cadeias de distribuição.
Restauração e alojamento em forte expansão
O sector do alojamento e restauração (secção I) é o segundo maior empregador de empresas, com 128 mil registos. O crescimento do turismo em Portugal — que bateu recordes de receitas nos últimos anos — explica a proliferação de empresas neste sector. Os CAE mais frequentes são o 56101 (restaurantes tipo tradicional), o 56304 (bares e similares) e o 55111 (hotéis com restaurante). Este é também o sector com maior taxa de mortalidade empresarial (9,4%), o que indica uma elevada rotatividade de negócios.
Saúde e apoio social: crescimento estrutural
Com quase 124 mil empresas, o sector da saúde e apoio social (secção Q) reflecte o envelhecimento demográfico e a crescente procura de serviços privados. Clínicas médicas e dentárias, laboratórios de análises, lares e centros de dia concentram a maioria dos registos. Os CAE mais relevantes incluem o 86220 (actividades de prática médica de clínica especializada) e o 88101 (actividades de apoio social para pessoas idosas com alojamento).
Agricultura mantém-se resiliente
Com 121 mil empresas, a agricultura, pecuária e silvicultura (secção A) continua a representar uma fatia significativa do tecido empresarial, sobretudo nas regiões do interior. Este número inclui desde grandes explorações agrícolas até pequenos produtores individuais com actividade aberta.
Construção recupera
O sector da construção (secção F), com 114 mil empresas, consolidou a recuperação dos últimos anos após a forte contracção da crise de 2011–2014. A procura por habitação, a reabilitação urbana e os projectos de obra pública sustentam o crescimento. A taxa de mortalidade empresarial neste sector (8,3%) é inferior à média, o que sugere maior estabilidade que noutros períodos.
Os “outros sectores”: o que se esconde nos 37%
A categoria residual de “outros sectores” representa mais de um terço de todas as empresas portuguesas e merece atenção particular. Embora a PORDATA não desagregue esta fatia, é possível identificar os grandes blocos que a compõem:
- Actividades de consultoria, científicas e técnicas (secção M) — escritórios de advogados, gabinetes de contabilidade, empresas de consultoria de gestão, gabinetes de arquitectura e engenharia. Este é provavelmente o maior segmento dentro dos “outros sectores”, reflectindo a terciarização da economia portuguesa.
- Actividades administrativas e serviços de apoio (secção N) — agências de trabalho temporário, empresas de limpeza, segurança privada e serviços de apoio às empresas.
- Informação e comunicação (secção J) — empresas de tecnologia, desenvolvimento de software, telecomunicações e serviços digitais. O crescimento do ecossistema tecnológico português é visível no aumento de registos com CAE nesta secção.
- Outras actividades de serviços (secção S) — cabeleireiros, lavandarias, serviços funerários e outras actividades pessoais.
- Actividades artísticas e recreativas (secção R) — produção de espectáculos, actividades desportivas, parques de diversão.
Para conhecer os valores exactos por secção, consulte o INE directamente em ine.pt.
Mortalidade empresarial por sector
A taxa de mortalidade (percentagem de empresas encerradas num ano) varia significativamente entre sectores:
| Sector | Taxa de mortalidade (2024) |
|---|---|
| Electricidade, gás e água | 15,1% |
| Outros sectores (J, M, N, R, S, U) | 15,5% |
| Educação | 14,8% |
| Transportes e armazenagem | 14,2% |
| Saúde e apoio social | 10,0% |
| Agricultura | 10,5% |
| Alojamento e restauração | 9,4% |
| Comércio | 8,3% |
| Construção | 8,3% |
| Indústrias transformadoras | 6,7% |
| Actividades imobiliárias | 6,0% |
| Indústrias extractivas | 5,7% |
| Actividades financeiras e de seguros | 5,5% |
Os sectores com maior rotatividade — electricidade/água, educação e transportes — incluem muitas microempresas e empresários em nome individual, cuja duração média é inferior a três anos. Por outro lado, sectores como o financeiro e o extractivo têm barreiras de entrada mais elevadas, o que contribui para taxas de mortalidade mais baixas.
Conclusão: um país de comércio, serviços e microempresas
O tecido empresarial português é dominado por microempresas (menos de 10 trabalhadores), concentradas no comércio, restauração e serviços. A tendência dos últimos anos aponta para o crescimento dos sectores de saúde, consultoria/tecnologia e alojamento turístico, enquanto sectores tradicionais como a indústria transformadora perdem peso relativo.
Para quem está a constituir empresa ou a ponderar uma mudança de actividade, a escolha do código CAE deve reflectir a actividade real — e estes dados ajudam a situar cada negócio no contexto do mercado português.
Fontes: INE — Instituto Nacional de Estatística; PORDATA — Base de Dados de Portugal Contemporâneo (última actualização: 18 de Dezembro de 2025). Dados referentes a 2024.
Próximos passos
- Consultar NIF de empresa em Portugal — explore empresas individuais por sector e localização.
- Pesquisar códigos CAE — descubra todos os CAE de cada secção, já com mapeamento CAE Rev.4.
- Pesquisar contratos públicos por CPV — veja em que sectores o Estado mais contrata.