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Empresas mais comuns em Portugal por sector — dados 2026

Distribuição do tecido empresarial português por CAE Rev.4

7 min de leitura
Índice do artigo

Portugal contava com 1 593 415 empresas registadas em 2024, segundo os dados do INE publicados pela PORDATA em Dezembro de 2025. Este número inclui todas as formas jurídicas — sociedades por quotas, unipessoais, sociedades anónimas, cooperativas e empresários em nome individual — e representa um crescimento de cerca de 43% face às 1 115 456 empresas existentes em 2004. Deste universo, 99,9% são PME e apenas 1 723 são grandes empresas.

Na base de dados do contribuinte.pt, que agrega mais de 1,2 milhões de entidades colectivas com NIF consultável, esta distribuição sectorial é visível em cada pesquisa: o código CAE registado por cada empresa reflecte exactamente o sector em que opera. Desde 1 de Janeiro de 2025 está em vigor a CAE Revisão 4, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 9/2025, de 12 de Fevereiro, que substituiu a CAE Rev.3.

Os 15 sectores com mais empresas em Portugal

A tabela seguinte apresenta os sectores de actividade económica ordenados pelo número de empresas, com a secção CAE correspondente. Os dados referem-se a 2024 (último ano disponível no INE/PORDATA à data de publicação).

#Sector de actividadeSecção CAEN.º de empresas% do total
1Comércio por grosso e a retalhoG218 81113,7%
2Alojamento e restauraçãoI128 0228,0%
3Saúde humana e apoio socialQ123 6617,8%
4Agricultura, pecuária, caça, silvicultura e pescaA121 0977,6%
5ConstruçãoF114 4397,2%
6Indústrias transformadorasC69 8984,4%
7Actividades imobiliáriasL67 9124,3%
8EducaçãoP67 7124,2%
9Transportes e armazenagemH64 4604,0%
10Actividades financeiras e de segurosK16 8091,1%
11Electricidade, gás e águaD+E6 3850,4%
12Indústrias extractivasB9630,1%
13Outros sectores (inclui secções J, M, N, R, S, U)593 24637,2%

Nota: A PORDATA agrega numa única categoria (“Outros sectores”) as secções J (Informação e comunicação), M (Actividades de consultoria, científicas e técnicas), N (Actividades administrativas e serviços de apoio), R (Actividades artísticas, de espectáculos e recreativas), S (Outras actividades de serviços) e U (Organismos internacionais). Para uma desagregação completa por secção CAE, consulte directamente a base de dados do INE (ine.pt).

Análise por sector: o que revelam os números

Comércio continua a liderar — mas o peso relativo diminui

O comércio por grosso e a retalho (secção G) mantém a posição de sector com mais empresas em Portugal, com quase 219 mil entidades. Dentro desta secção, os CAE mais comuns incluem o 47111 (comércio a retalho em supermercados e hipermercados), o 47191 (comércio a retalho não especializado) e o 46900 (comércio por grosso não especializado). Contudo, a tendência dos últimos anos mostra uma redução gradual do peso relativo deste sector, pressionado pelo crescimento do comércio electrónico e pela concentração em grandes cadeias de distribuição.

Restauração e alojamento em forte expansão

O sector do alojamento e restauração (secção I) é o segundo maior empregador de empresas, com 128 mil registos. O crescimento do turismo em Portugal — que bateu recordes de receitas nos últimos anos — explica a proliferação de empresas neste sector. Os CAE mais frequentes são o 56101 (restaurantes tipo tradicional), o 56304 (bares e similares) e o 55111 (hotéis com restaurante). Este é também o sector com maior taxa de mortalidade empresarial (9,4%), o que indica uma elevada rotatividade de negócios.

Saúde e apoio social: crescimento estrutural

Com quase 124 mil empresas, o sector da saúde e apoio social (secção Q) reflecte o envelhecimento demográfico e a crescente procura de serviços privados. Clínicas médicas e dentárias, laboratórios de análises, lares e centros de dia concentram a maioria dos registos. Os CAE mais relevantes incluem o 86220 (actividades de prática médica de clínica especializada) e o 88101 (actividades de apoio social para pessoas idosas com alojamento).

Agricultura mantém-se resiliente

Com 121 mil empresas, a agricultura, pecuária e silvicultura (secção A) continua a representar uma fatia significativa do tecido empresarial, sobretudo nas regiões do interior. Este número inclui desde grandes explorações agrícolas até pequenos produtores individuais com actividade aberta.

Construção recupera

O sector da construção (secção F), com 114 mil empresas, consolidou a recuperação dos últimos anos após a forte contracção da crise de 2011–2014. A procura por habitação, a reabilitação urbana e os projectos de obra pública sustentam o crescimento. A taxa de mortalidade empresarial neste sector (8,3%) é inferior à média, o que sugere maior estabilidade que noutros períodos.

Os “outros sectores”: o que se esconde nos 37%

A categoria residual de “outros sectores” representa mais de um terço de todas as empresas portuguesas e merece atenção particular. Embora a PORDATA não desagregue esta fatia, é possível identificar os grandes blocos que a compõem:

  • Actividades de consultoria, científicas e técnicas (secção M) — escritórios de advogados, gabinetes de contabilidade, empresas de consultoria de gestão, gabinetes de arquitectura e engenharia. Este é provavelmente o maior segmento dentro dos “outros sectores”, reflectindo a terciarização da economia portuguesa.
  • Actividades administrativas e serviços de apoio (secção N) — agências de trabalho temporário, empresas de limpeza, segurança privada e serviços de apoio às empresas.
  • Informação e comunicação (secção J) — empresas de tecnologia, desenvolvimento de software, telecomunicações e serviços digitais. O crescimento do ecossistema tecnológico português é visível no aumento de registos com CAE nesta secção.
  • Outras actividades de serviços (secção S) — cabeleireiros, lavandarias, serviços funerários e outras actividades pessoais.
  • Actividades artísticas e recreativas (secção R) — produção de espectáculos, actividades desportivas, parques de diversão.

Para conhecer os valores exactos por secção, consulte o INE directamente em ine.pt.

Mortalidade empresarial por sector

A taxa de mortalidade (percentagem de empresas encerradas num ano) varia significativamente entre sectores:

SectorTaxa de mortalidade (2024)
Electricidade, gás e água15,1%
Outros sectores (J, M, N, R, S, U)15,5%
Educação14,8%
Transportes e armazenagem14,2%
Saúde e apoio social10,0%
Agricultura10,5%
Alojamento e restauração9,4%
Comércio8,3%
Construção8,3%
Indústrias transformadoras6,7%
Actividades imobiliárias6,0%
Indústrias extractivas5,7%
Actividades financeiras e de seguros5,5%

Os sectores com maior rotatividade — electricidade/água, educação e transportes — incluem muitas microempresas e empresários em nome individual, cuja duração média é inferior a três anos. Por outro lado, sectores como o financeiro e o extractivo têm barreiras de entrada mais elevadas, o que contribui para taxas de mortalidade mais baixas.

Conclusão: um país de comércio, serviços e microempresas

O tecido empresarial português é dominado por microempresas (menos de 10 trabalhadores), concentradas no comércio, restauração e serviços. A tendência dos últimos anos aponta para o crescimento dos sectores de saúde, consultoria/tecnologia e alojamento turístico, enquanto sectores tradicionais como a indústria transformadora perdem peso relativo.

Para quem está a constituir empresa ou a ponderar uma mudança de actividade, a escolha do código CAE deve reflectir a actividade real — e estes dados ajudam a situar cada negócio no contexto do mercado português.

Fontes: INE — Instituto Nacional de Estatística; PORDATA — Base de Dados de Portugal Contemporâneo (última actualização: 18 de Dezembro de 2025). Dados referentes a 2024.

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