Saltar para conteúdo principal
← Voltar ao Blog

O que muda em 2026 para empresas em Portugal (OE 2026)

Principais alterações fiscais, laborais e legais para empresas

Por Equipa Contribuinte.pt
Actualizado em
9 min de leitura
Índice do artigo

Resposta curta: Em 2026 a taxa geral de IRC desce para 19% e a das PME para 15% nos primeiros 50 000 € (Lei n.º 64/2025), o salário mínimo sobe para 920 € (Decreto-Lei n.º 139/2025) e, desde 1 de Julho, existe o regime de grupos de IVA (Lei n.º 62/2025). O Orçamento do Estado (Lei n.º 73-A/2025) prolonga a aceitação de facturas em PDF até 31 de Dezembro de 2026 e adia o SAF-T da contabilidade para os períodos de 2027. Na Segurança Social, 2026 é o ano de transição para a Simplificação do Ciclo Contributivo, obrigatória a partir de 2027.

O ano de 2026 traz alterações relevantes para quem gere uma empresa em Portugal. Algumas vêm do Orçamento do Estado para 2026 (Lei n.º 73-A/2025, de 30 de Dezembro); outras de leis próprias, como a descida do IRC, o regime de grupos de IVA, o novo salário mínimo e a reforma das comunicações à Segurança Social. Neste artigo, reunimos as mudanças que importam para contabilistas e gestores, com valores concretos e comparação face a 2025.

Alterações ao IRC

Taxa geral: de 20% para 19%

A taxa geral de IRC desce 1 ponto percentual, fixando-se em 19% para períodos de tributação com início em 2026. A descida foi aprovada pela Lei n.º 64/2025, de 7 de Novembro, que prevê 18% em 2027 e 17% a partir de 2028 (artigo 87.º do CIRC).

Taxa PME: de 16% para 15%

As pequenas e médias empresas (PME) e as Small Mid Cap passam a beneficiar de uma taxa reduzida de 15% sobre os primeiros 50 000 € de matéria colectável (era 16% em 2025). O excedente é tributado à taxa geral de 19%. Derramas, regiões autónomas, regime simplificado e um exemplo de cálculo estão no guia IRC 2026: taxa, derramas e cálculo.

Tributações autónomas — suspensão da penalização

O agravamento de 10 pontos percentuais nas tributações autónomas para empresas com prejuízo fiscal (n.º 14 do artigo 88.º do CIRC) volta a não se aplicar no período de 2026, desde que a empresa tenha tido lucro tributável num dos três períodos anteriores e cumprido as obrigações declarativas (Modelo 22 e IES) dos dois períodos anteriores, ou esteja no período de início de actividade ou num dos dois seguintes (artigo 95.º, n.º 5, da Lei n.º 73-A/2025).

Zona Franca da Madeira

As entidades licenciadas para operar na Zona Franca da Madeira entre 1 de Janeiro de 2015 e 31 de Dezembro de 2026 são tributadas em IRC à taxa de 5% até 31 de Dezembro de 2033 (artigo 36.º-A do EBF, na redacção da Lei n.º 73-A/2025).

Gastos com teletrabalho

As compensações pagas aos trabalhadores pelas despesas adicionais do teletrabalho passam a ser consideradas em 110% do seu valor para efeitos de lucro tributável (artigo 43.º do CIRC, alterado pela Lei n.º 73-A/2025).

Majoração de encargos salariais

Os encargos com aumentos salariais de trabalhadores com contrato por tempo indeterminado são considerados em 200% como gasto do período, desde que o aumento da retribuição base anual média na empresa e o dos trabalhadores que ganham até à média sejam de pelo menos 4,6% (artigo 19.º-B do EBF, na redacção do OE 2026). O benefício tem limites (por exemplo, por trabalhador, até cinco vezes a RMMG) e reduz o lucro tributável. O OE 2026 isenta ainda de IRS, até 6% da retribuição base anual, os prémios de produtividade pagos em 2026 por empresas que façam este aumento salarial elegível (artigo 96.º da Lei n.º 73-A/2025).

Alterações ao IVA

Regime de grupos de IVA

Desde 1 de Julho de 2026 está em vigor o regime de grupos de IVA, criado pela Lei n.º 62/2025, de 27 de Outubro. As entidades do grupo continuam a entregar a sua declaração periódica, mas o apuramento global do imposto a pagar ou a recuperar é feito numa declaração do grupo, submetida pela entidade dominante (Ofício Circulado n.º 25119/2026).

Alargamento da taxa reduzida (6%)

A taxa reduzida de IVA de 6% passa a aplicar-se a:

  • Empreitadas de construção ou reabilitação de habitação destinada a habitação própria e permanente do adquirente ou exclusivamente a arrendamento habitacional, dentro dos limites de preço e renda fixados — nova verba 2.42 da Lista I, aditada pelo Decreto-Lei n.º 97/2026, de 20 de Maio (Ofício Circulado n.º 25116/2026);
  • Transmissões de objectos de arte efectuadas pelo autor, herdeiros, legatários ou revendedores registados, no regime especial dos bens em segunda mão e objectos de arte (Lei n.º 73-A/2025);
  • Operações de transformação de azeitona em azeite, acrescentadas às prestações de serviços agrícolas da verba 4.2 da Lista I (Lei n.º 73-A/2025).

Salário mínimo nacional: 920 €

O salário mínimo nacional sobe de 870 € para 920 € brutos mensais a partir de 1 de Janeiro de 2026, um aumento de 50 € (5,7%), fixado pelo Decreto-Lei n.º 139/2025. O valor líquido, após desconto de 11% para a Segurança Social, é de 818,80 € por mês.

No IRS, o valor de referência do mínimo de existência passa a ser o maior entre 12 880 € e 1,5 × 14 × IAS (artigo 70.º do CIRS, alterado pela Lei n.º 73-A/2025), e as tabelas de retenção na fonte de 2026 foram aprovadas de forma a proteger o aumento da RMMG (Despacho da Secretária de Estado dos Assuntos Fiscais de 5 de Janeiro de 2026).

Alterações na Segurança Social

Simplificação do Ciclo Contributivo (SCC)

Em 2026 decorre o período de transição para a Simplificação do Ciclo Contributivo (SCC). Durante este ano, as entidades empregadoras podem aderir a qualquer momento (com efeitos no mês seguinte e de forma irreversível); a partir de 1 de Janeiro de 2027, o modelo é obrigatório para todas. No novo modelo, a Segurança Social calcula automaticamente as contribuições com base na informação que já tem (vínculos, taxas, ausências); a empresa confirma ou corrige os valores até ao dia 20 do mês seguinte (Perguntas Frequentes SCC, Segurança Social).

Novo prazo de pagamento de contribuições

Para as entidades que aderiram à SCC, o pagamento das contribuições é feito entre o dia 1 e o dia 25 do mês seguinte. No modelo tradicional, o prazo continua a ser entre os dias 10 e 20 do mês seguinte (Guia Prático da Segurança Social).

Alterações laborais

Idade de reforma: 66 anos e 9 meses

A idade normal de acesso à pensão de velhice do regime geral é de 66 anos e 9 meses em 2026, acompanhando a evolução da esperança média de vida aos 65 anos (Portaria n.º 358/2024/1).

Actualização de pensões

As pensões foram actualizadas a partir de Janeiro de 2026 em 2,80% até 1 074,26 € (2 IAS), 2,27% entre 1 074,26 € e 3 222,78 €, e 2,02% acima desse valor; as pensões superiores a 6 445,56 € não são actualizadas, salvo excepções (Portaria n.º 480-B/2025/1).

Obrigações contabilísticas e de facturação

Facturas em PDF

Até 31 de Dezembro de 2026 continuam a ser aceites facturas em ficheiro PDF, consideradas facturas electrónicas para todos os efeitos fiscais (artigo 95.º, n.º 3, da Lei n.º 73-A/2025).

Facturação electrónica

O regime transitório previsto no n.º 4 do artigo 9.º do Decreto-Lei n.º 111-B/2017 (facturação electrónica na execução de contratos públicos) é prorrogado até 31 de Dezembro de 2026 (artigo 260.º, n.º 2, da Lei n.º 73-A/2025).

SAF-T da contabilidade

A entrega obrigatória do ficheiro SAF-T (PT) da contabilidade é novamente adiada: aplica-se apenas aos períodos de 2027 e seguintes, com entrega a partir de 2028 (artigo 95.º, n.º 2, da Lei n.º 73-A/2025).

Quadro-resumo das principais alterações

Medida20252026
Taxa geral de IRC20%19%
Taxa IRC PME (primeiros 50 000 €)16%15%
Salário mínimo nacional (bruto)870 €920 €
Idade de reforma—66 anos e 9 meses
Actualização de pensões (até 2 IAS)—+2,80%
Prazo pagamento SSDia 10–20Dia 10–20 (modelo tradicional) ou 1–25 (SCC)
Regime de grupos de IVANão existiaDesde 1 de Julho de 2026
SAF-T contabilidade obrigatórioAdiadoPeríodos de 2027
Facturas em PDF aceitesSimSim (até 31/12/2026)
Penalização trib. autónomas (prejuízos)SuspensaSuspensa (com condições)

Conclusão

2026 prossegue a trajectória de descida do IRC e traz mudanças operacionais significativas, sobretudo na relação com a Segurança Social. A Simplificação do Ciclo Contributivo, ainda opcional em 2026, é obrigatória a partir de 2027, pelo que as empresas devem preparar a transição. Para contabilistas, os novos prazos de pagamento à Segurança Social e o adiamento do SAF-T são pontos a monitorizar de perto. Para informação oficial e actualizada sobre todas estas medidas, consulte o Portal das Finanças e a Segurança Social Directa.

Fontes


Próximos passos

Ferramentas úteis